sexta-feira, 1 de abril de 2011

UMA NOITE ESPECIAL


Segunda-feira, dia 29 de março de 2010, cheguei à Sociedade Espírita Cáritas, às 18.20hrs., estava sentindo muito cansaço e uma tristeza profunda.
Eu já contei sobre o ocorrido com minha sobrinha Gabriela, ela desencarnou aos 28 anos de idade, de maneira bastante desequilibrada, e isso deixou-me bastante impressionada.
Temos grandes amigos, também frequentadores do Cáritas, o Júnior e a Talita, pessoas muito especiais, e há mais de trinta dias o Junior está doente, com um diagnóstico bastante dificil, Granulomatose de Wergerner, o estado de saúde dele estava muito grave.
Somando os dois fatos e mais o que ando vivenciando como médiun de dupla vista, acabou por debilitar minhas forças mentais e físicas.
Desde o dia 12 de março, quando Gabriela morreu, eu a vejo em desespero, sempre gritando e implorando ajuda, mas, por mais que me esforce, para que ela me ouça e entenda que deve aceitar auxilio e começar uma nova etapa da vida, ela não consegue entender a minha intenção. Isso tem me deixado bastante ansiosa e triste.
Na segunda-feira ao chegar ao Cáritas, estava sozinha, sentei na cadeira frente a escrivaninha de nosso pequeno escritório, apoiei a cabeça na mesa e chorei muito, pedi ajuda aos Espíritos que ali nos assistem nos trabalhos de atendimento aos sofredores, falei-lhes sobre a incapacidade de poder atender às necessidades de Gabriela.
Ali fiquei sozinha e em oração, até que chegou o Sr. Luiz Rubens com boas palavras de incentivo, sempre sorrindo e de boa vontade. Senti-me melhor!
Logo após, chegou minha amiga Zuleica e desabafei com ela, melhorei mais um pouquinho, mas aquela angústia que andava me consumindo continuava a me atormentar.
Às 20 horas iniciamos o período de estudo com o Livro Pão Nosso, de André Luis, psicografia de Francisco Candido Xavier, o Ricardo leu a lição nr. 124, intitulada "Não falta", confesso que não consegui entender uma palavra, tudo parecia longe e diferente, olhava para meus pés e ali estava a Gabriela sentada e apoiada em meu colo.
Silvia começou a leitura de O Livro dos Médiuns, e por mais que me esforçasse não conseguia estar presente a reunião. Nosso amigo Aragão percebendo meu desconforto, veio me auxiliar, consegui alguma melhora, mas não o sufiiente para estar ali presente junto aos estudos da noite.
Finalmente, chegou o horário de nosso trabalho de desobsessão, que inicia sempre às 21 horas. Foi feita a prece, e ainda Gabriela ajoelhada aos meus pés, a sensação era tão intensa, que sentia o seu frágil corpo balançado pelos soluços de desespero, e o lamento constante:
- Tia me ajuda, tia me ajuda, tia me ajuda...
Elevei meu pensamento a Deus e implorei para que minha menina fosse atendida, para que eu não fosse o instrumento de intermediação para essa comunicação; tentava explicar sobre a minha incapacidade emocional de lidar com os sentimentos que invadiam minha alma.
Vi e senti o esforço da equipe espiritual que nos assistia, coordenada pelos amigos Ineque e Vinicius, tentando auxiliar essa amiga ainda tão fraca em sua fé. Vi ampararem a Gabriela e a posicionarem ao lado de outros médiuns de psicofonia, e ela rejeitar essa ação e voltar desesperada aos meus pés.
A emoção era tão forte que pensei que meu coração fosse explodir naquele momento, Vinicius se aproximou de mim, e como sempre faz, amorosamente e com paciencia, questionou-me:
- Minha amiga, o que devemos fazer?
Senti a urgencia e a importancia daquela momento, pedi apenas um minuto para me preparar, então coloquei-me a disposição do trabalho, da maneira que fosse necessário.
No mesmo instante, senti ser afastada de meu corpo material e ficar a certa distancia segura para manter o controle emocional e coordenar a comunicação de minha menina.
Bendito momento de oportunidade, o que vi e senti, irá acompanhar-me pelo resto da vida, como a prova do amor e da bondade de Deus e de nossos amigos encarnados e desencarnados.
Vi a união amorosa de nossa equipe encarnada, a disposição séria em ajudar e amparar essa companheira, senti-me segura e abraçada por mil anjos do Senhor.
Vi a equipe espiritual se movimentando, modificando fluidicamente o campo vibratório de Gabriela, vi a doação de ectoplasma de meus amigos encarnados, ser somada a energia espiritual ofertada por meus amigos desencarnados.
Vi essa intensa massa energética invadir o campo fluidico de Gabriela, propiciando um momento de paz, no qual ela conseguiu ouvir a fala mansa do Julio, o carinhoso abraço da Yolanda, a paciencia da Silvia em soprar no ouvido dela todo o amor que ela recebia, a fala firme e lúcida de Zuleica ajudando-a a enxergar além de sua própria dor.
Vi a atenção sublime de nosso cumpadi Aragão, quieto e firme, de mãos dadas com a oportunidade de mais um momento de carinhoso auxílio.
Vi o esforço amoroso da Julia, da Cristina, da Aide, do Ricardo, da Ana Claudia, do Wando, do Sr. Luiz Rubens em direcionar tanto carinho e amor a tão especial menina de meu coração.
Vi a Gabriela ceder ao amoroso consolo, ainda sem entender exatamente o que andava acontecendo em sua vida, mas amparada e mais serena, ela se foi nos braços de nosso Pai.
Chorei muito, por tão intensa emoção, agradeci muito a Deus por ter amigos tão especiais ao meu lado. Quando acreditei que já havia visto a mais linda cena de minha vida, admirada, percebi amorosa equipe médica do plano espiritual trazendo nosso querido amigo Junior para ser tratado.
A percepção de todos nós se ampliou de tal maneira que sabíamos o que estava acontecendo, intensa doação de energia animica aconteceu, olhava a minha volta e não conseguia conter a emoção pelo que andava vivenciando nessa noite especial.
Vi nosso amigo Julio ser o instrumento de transformação e miscigenação daquela maravilha.
Vi quando toda aquela maravilhosa energia atingiu um ponto máximo, então um brilho intenso aconteceu, e aquela luminescencia serena e veloz envolveu a todos.
Vi quando uma grande quantidade desse fluido invadiu o corpo de nosso amigo Junior e ele estremeceu, percebi encantada que aqueles pontos mais escuros que andava observando em seu perispirito, clarearam, e senti que cada célula doente era transformada em célula saudável.
E eles se foram, levando consigo a esperança, o amor e a bondade, e deixando para cada um de nós, amável sentimento de plenitude e felicidade.
Para mim ficou a certeza do que vi, a certeza da bondade de Deus que nos possibilita uma ação tão direta e eficiente, para que possamos realmente acreditar em nossa origem divina.
Terça-feira, 30 de março de 2011, não vejo mais o desespero de Gabriela, sinto que está bem e quando acordar desse sono reparador, acredito que poderá compreender melhor o que andou acontecendo em sua vida.
Terça-feira, 30 de março de 2011, às 8.30 hrs., Talita, a esposa do Junior, me liga, sua voz está animada e feliz, acaba de receber a notícia que o Junior está muito melhor, já meio acordado depois de quinze dias de um coma induzido, e ainda me diz que a nova radiografia mostra que os pulmões tiveram uma melhora de 50%, da noite para o dia. Então, conto a ela, mais ou menos, ainda estou muito emotiva e choro de alegria, o que houve na nossa noite especial, com nossos amigos especiais, afinal Talita e Junior também fazem parte desse grupo há mais de doze anos.
Por que estou contando com tantos detalhes esse caso?
Porque ele me transformou, participar disso tudo, me deu a certeza de dias melhores sempre, de que nunca estamos só, de que Deus realmente é PAI, com P A I maiusculos sem dúvida alguma.
Estou mais confiante, mais serena e consigo olhar a minha vota e entender finalmente que cada um atua nessa beleza de vida do jeito que dá conta, então tudo está muito certo. Acredito que até consigo perceber um certo ar de felicidade no mundo, afinal com certeza, ele tem jeito sim, eu vi isso acontecer.

 Não há dever que
tanto descuidemos
como o de sermos felizes.
(Robert Louis Stevenson)

segunda-feira, 14 de março de 2011

GABRIELA DE SUSTO EM SUSTO


Essa menina da foto é a Gabriela, querida sobrinha, nascida para o mundo dos encarnados à 24 de agosto de 1982.

Gabriela foi assim: uma alegria e um susto na vida de todos; uma alegria porque a vida é sempre uma festa, aos olhos que amam, e um susto porque a mãe acreditava estar de seis meses e a bichinha danada estava para chegar.

Gabriela era uma criança assim: comprida e magrinha, com um longo cabelo quase loiro, olhos grandes e sempre, sempre, alerta a uma nova estrepolia.

Gabriela adolescente, era assim: um susto grande, cada dia uma história nova, cada dia uma descoberta nova, era um tremendo tornado ganhando força, e quano chegava ao seu máximo... Nossa! Eram detritos para todos os lados.

Foi nessa época que ela deciciu ser skatista, uma figura admirável de se ver, sempre muito magra e fininha, vestida com aquelas calças largas, camiseta, pelo menos uns tres números maior, o cabelo comprido, agora preso num rabo de cavalo, e lógico skate embaixo dos braços. Treinava, treinava e treinava, visava campeonatos, dividia a pista com moleques sarados e peitava a todos. No fim era a rainha do pedaço, e mais adiante com um pino no tornonezo.

Voces pensam que ela desistiu? Não mesmo, logo estava perfeita de novo, e com o mesmo skate embaixo dos pés, voava pelos ares, e aterrisava como um bólido. E nossos corações cada dia mais e mais abalado. Até que um novo tombo a fez refletir e desistir do esporte. Sofreu até, nesse tombo quebrou a mandíbula superior, mas... era a Gabriela.

Na juventude, mais precisamente na UNIP, cursando direito, ela conheceu o Luciano, o nosso querido Lu. Ele foi a resposta para a escuridão que, as vezes, a envolvia, então a Gabriela floresceu, cresceu, animou e realizou.

Mas... voces se lembram que ela nasceu de susto? E de susto em susto, ela construiu família. O primeiro a chegar foi o Marcelo, e quando olho para essa maravilha da criação divina, lembro de uma menina muito esperta e falante, ativa e saliente, amada e paparicada, então penso:
- É cópia fiel da mãe.

Voltando na infancia, mais ou menos aos sete anos dessa espoleta, no carnaval. Resolvemos fazer uma festinha para as crianças em casa, e para isso trouxemos do maleiro, aquelas coisas esquisitas que acabamos guardando pela vida afora, tipo: um chapéu coco, uma echarpe brilhante, um sapato de plataforma enorme, um vestido de baile, muitas bijouterias bregas, mas que na época eram da hora, etc. e aquela figurinha linda olhou para mim e disse:
- Tia do que voce vai me fantasiar?
Olhei bem para ela e fiquei imaginando, então veio a idéia:
- Bicho grilo.
- Gostei do nome e como se faz isso?
Bom... improvisamos uma saia longa, uma blusa colorida, cabelo solto e faixa na testa. Ficou linda! E ela gostou tanto que durante muito tempo só andou de bicho grilo, não importando a opinião dos outros. E quando alguém criticava, dizia de nariz em pé:
- Voce que não use!
Tenho tantas lembranças, que elas se atropelam, se misturam e eu apenas choro, porque sei que sentirei tantas saudades que meu coração já dói.

Gabriela sempre dando susto em todo mundo, nasceu o Cyro, uma peça, hoje com 2 anos e 3 meses, ele tem cara de bravo, baixinho, troncudinho, lindo, fofo, gostoso e muito amável.

Enquanto suspiravámos com o nascimento do Cyro, ela fazia a Rebeca, isso mesmo, onze meses de diferença, mas acredito que já estavámos acostumados e até mesmo felizes com a família crescendo. Por essa ocasião, ela morava em Campo Grande e andava bastante triste de estar longe de todos, passando muitas dificuldades financeiras; mas Deus sempre nos socorre e não foi diferente com nossa menina, ela e o Lu encontraram emprego em Araraquara através de uma amiga.

E por aqui estavam eles há cinco meses, melhorando de vida, conseguindo se reerguer financeiramente, morando em uma casa muito confortável, acolhedora, iluminada e feliz.

Gabriela quando chegou de Campo Grande estava muito magra, mas muito magra mesmo, pálida, com olheiras profundas emoldurando olhos que pareciam maiores, no Natal já estava melhor, e agora na segunda e terça-feira de Carnaval ela estava muito bonita, nos disse que engordou 9 kgs., ainda brinquei com ela e perguntei:
- Como voce conseguiu esse bumbumzão, voce nunca teve?
- Ando malhando, tia, em academia e comendo direito.
Brincando falei:
- Tá até parecendo o meu.
- Ah! Mas o seu já está começando a despencar. (RS)
Ainda brincando dei um tapa no traseiro dela, e rimos muito.

Sábado, dia 12 de março de 2011, estava no Novo Shoping com minha família, quando recebi a notícia mais triste de minha vida: Gabriela estava morta.

A impressão inicial era que alguém estava fazendo uma piada de mau gosto, afinal ela tinha apenas 28 anos e eu a tinha visto outro dia, linda e saudável.

Depois fiquei brava, muito brava, não sei mesmo com o que, não era com Deus, com a vida, com a minha menina, com nada, apenas estava muito brava.

Depois senti uma urgencia enorme de ir para Araraquara, e tudo me parecia lerdo, lento, arrastado... o tempo não passava e a estrada não acabava. Quando chegamos e encontramos o Lu na Delegacia, pois ela morreu em casa, aí vi que realmente era verdade, a menina de olhos grandes não estava mais entre nós... então tudo virou uma grande tristeza, mas muito grande mesmo, que anda me cobrando lugar na vida, eu quero muito ser capaz de faze-la saudável.

Hoje, é dia 14 de março de 2011, e já consigo pensar que está apenas desencarnada, não mais morta, que ela vive em um mundo melhor, guardada pelos anjos do Senhor, e um dia quando eu partir para lá, ela estará me recepcionando.

Só sei nesse momento que a amo muito, minha menina dos olhos grandes e desejo a voce a paz daquele que retornou para casa.

Vá! Vá com Deus Linda Flor da Manhã!


"E no final das contas não são os anos
em sua vida que contam.
É a vida nos seus anos."
(Abraham Lincoln)

segunda-feira, 7 de março de 2011

Encontro "Caminhos Para o Espiritismo"



Primeiro Encontro Caminhos para o Espiritismo - Centro de Convenções de Ribeirão Preto - Maio de 2008, uma experência imperdível para quem participou.

sábado, 5 de março de 2011

Sábado de Carnaval e o Blog da Lili

Isso mesmo! Se eu for ao carnaval vai ser de Chapeleiro Louco.
Voces já viram um personagem tão completo?
O visual é muito doido, de tão doido é muito lindo!
O olhar é de quem não está nem aí para a torcida dos normais. Prestem atenção, é torto, quase amarelo e rodeado de muita energia vermelha... será que que só de querer usar a fantasia eu incorporei a identidade?
O que mais me chama a atenção nesse personagem é a disposição para ter e não ter respostas, ele é sempre uma incógnita. Será que é o mocinho ou o bandido?
Mas... realmente não importa, pois na duabilidade de suas atitudes ele faz o que precisa para salvar o que mais importa: o direito de sonhar!
E essa gradiosidade de nossa esperança precisa estar sempre atenta, pois sonhar... é o início de acreditar, é saber que podemos imaginar a felicidade, e aí vem o nosso "Chapeleiro Louco" interior e diz que podemos fazer acontecer.
Da utopia, imaginada, tresloucadamente, sem arrimo e sem anzol nasce a vontade de ir contra toda a radical descrença das possibilidades, e nossa mente febril, cria, imagina, transforma e dá forma ao impossível dos descrentes, e na ansia de fazer do sonho a realidade, conseguimos atravessar o País das Maravilhas, superar a Rainha Má transvestida de pessimismo, e alegres e livres apoiamo-nos nas mãos do louco desejo de viver e sonhar.
De repente, sem mais delongas, olhamos no espelho e descobrimos aquele olhar torto, amarelado e muito bem contornado de um vermelho vivo, ajeitamos a cartola, arrumamos o colarinho e felizes sorrimos e ouvimos bem lá em nosso mais íntimo querer:

"Dê-me a mão criança e venha sonhar,
não importa onde, pois o
lugar ideal é sempre aqui e
agora."

sexta-feira, 4 de março de 2011

Renato Magosso e nossa Despedida da 1a. fase do COEM II

Terminamos na terça-feira dessa semana, na Sociedade Espírita Cáritas, a primeira fase do estudo COEM II, e foi muito bom, tivemos uma conversa com o grupo e as notícias foram ótimas.

Sempre iniciamos o estudo com a leitura e o comentário de um trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo, em sequencia, e comentários do leitor e das pessoas presentes. Sempre me admiro do rumo que essa conversa toma, esclarecedor e confortador, como uma brisa fresca em dia de muito calor.

Após a leitura do Evangelho, propusemos ao grupo responder e comentar uma única questão:

- Como voce avalia essa primeira fase do COEM II, como voce o descreveria para sua vida?

E foi incrível a qualidade das respostas, vou resumir para voces, utilizando o comentário de todos que se pronunciaram, as 34 pessoas presente:

"Um estudo que trouxe conhecimento teórico sobre mediunidade e como conduzir esse instrumento de trabalho em nossas vidas. A partir daí, passamos a modificar nossa maneira de vivenciar os acontecimentos, bons ou ruins, porque passamos a considerá-los como oportunidades de aprendizado, e não mais como presentes ou castigos. O que mais marcou foi entender que não estamos a merce de fatalidades, mas podemos escolher cada momento a ser vivido, determinando a qualidade desse momento, o que irá nos facultar dias mais felizes. Ficamos muito felizes em empreender uma caminhada interior mais consciente através de exercícios de auto-observação, que nos auxiliam a conhecer nossos vícios e também algumas virtudes latentes. Estamos ansiosos por iniciar a segunda fase, pois acreditamos que será de muita valia para momentos mais felizes nessa encarnação."

Esse grupo teve início em março de 2010 sob a coordenação de nosso querido amigo Renato Magosso, com 42 pessoas. No segundo semestre do ano, o Renato precisou se afastar, ele mudou para São José dos Campos, deixando muitas saudades e também um gupo de amigos que o admiram por sua criatividade, inteligencia e dsposição em realizar e partilhar.

Eu, pessoalmente, aprendi muito com esse amigo e sinto falta de nossos bate-papos. E com o coração apertado de saudades, mas repleto de carinho, todos nós desejamos a voce, Renato, que ralize os sonhos que o levaram para longe de nós, mas que também possa nos auxiliar a realizar um sonho de todos, ter a sua visita em breve, para que possamos demonstrar todo o carinho que voce conquistou.

Nosso presente para voce
 é nosso melhor amor
em flor. 


Cuidar de netos...

 
 É isso aí! Cuidar de netos é sempre uma aventura nova e exaustiva e criativa e exaustiva e amorosa e exaustiva, etc.

Essa semana minhas filhas recomeçaram a trabalhar, então eu me propus a cuidar de meus dois netos, a Ana Cecília na parte da manhã, ela vai para a escola no período da tarde, e o Gabriel, com o qual devo estar alerta em período integral, ele está com um ano e sete meses; e com toda a vitalidade e curiosidade de quem está descobrindo o mndo. UFA!

Só sei que no final da tarde estou exausta e feliz de entregá-los de novo nas mãos de suas mães, mas no outro dia às 7 horas da manhã, já estou ansiosa para que eles cheguem, já com saudades.

E cada dia tem uma história de uma nova forma e sempre com novas cores. Hoje foi o dia do beijo, não podia me mexer que o Gabriel corria para me abraçar e beijar, então a Ana Cecília fazia o mesmo. Estou com as bochechas inchadas. Que delícia!

E voces sabiam que menino tem pipi e menina perereca? Recebi essa informação logo cedo, de minha neta.

São 14:45hrs., o Gabriel está dormindo sossegado e quentinho, nesse dia friorento e sui generis para Ribeirão Preto, e já estou com saudades dos beijos melados. Acho que vou acordá-lo! RS

É isso mesmo, minha gente, estou encantada de ser avó e cuidar de meus netos, eles são esperança nova em minha vida.

E minha vida é uma delícia de ser vivida!



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

SEGUNDA-FEIRA E A ESPERANÇA

Então, hoje é segunda-feira! Eu adoro o início da semana, ela começa no domingo, o dia de reunir amigos e família, sentar à mesa do almoço e jogar conversa fora, saboreando os pratos já considerados tradição, por aqui é tudo que estivermos com vontade, até mesmo arroz, feijão, salada de tomate e um bom filé grelhado, sem falar na batata frita; mas, o que importa é quem está ao seu lado. Por aqui não temos lugar fixo na mesa redonda, o importante é quem está a nossa volta. Ontem posso dizer que estava bem muito bem acompanhada, de um lado o Mimi, meu neto Gabriel e do outro minha neta Ana Cecília. O melhor é que ganhei muitos abraços de mãossujas e muitos beijos de boca lavada em chocolate.
Que delícia de vida!
A noite mais um momento de felicidade, lá na Sociedade Espírita Cáritas, fui fazer palestra. O tema: O Evangelho Segundo o Espiritismo, capitulo V, Bem-aventurados os aflitos, que amigos atentos, interessados e participantes, não foi palestra foi troca de idéias. Sai de lá, como sempre acontece, renovada para a vida.
Acordei hoje, segunda-feira, com vontade de trabalhar e fazer desse início de semana, um produtivo e criativo caminhar.
Hoje é o dia de fazer diferença!
Hoje é o dia de acreditar que tudo de bom é possível em minha vida!
Hoje é o dia de buscar em meu mais íntimo pensamento a esperança de ser melhor, para os que cruzarem o meu caminho, mas também para a pessoa mais importante de minha vida: eu mesma!
Hojé é o dia de viver intensamente cada pensamento bom e cada sentimento junto ao Criador!
Afinal de contas, sou a criatura do Pai, e acredito em sua bondade e amor, então sou parte Dele e estou com Ele!
Um presente para os amigos da segunda-feira:

MUITAS REALIZAÇÕES E ESPERANÇAS!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Avenida Ipiranga 200

Avenida Ipiranga 200, Edifício Copan, São Paulo

Que Maravilha! Eu tenho uma história com o Edifício Copan, e ultimamente ando meio saudosa das histórias de minha infância e de minha juventude.

Eu nasci em Franca, a cidade de meu coração, mas aos nove anos minha família mudou para São Paulo, no endereço já comentado.

Na época essa maravilha da arquitetura moderna, projeto do admirável Niemeyer, ainda estava em construção, não havia elevadores funcionando, somente aquelas gaiolas externas, e nós moravámos no terraço, ou seja no 36o. andar, a vida lá de cima tinha outra aparência, ora de grandiosidade, ora de pequenez.

Nossa mudança foi feita nesses elevadores externos, que viagem fantástica, minha mãe subiu uma vez e só tocou o solo novamente, quando os elevadores internos ficaram prontos, aproxidamente três meses depois.

Ali conheci muitos amigos, o Bubi (Walter) filho do Sr. Nicolau e da Dona Maria, por onde andarão?

Formamos uma bela turma: eu, minha irmã Amália, minha irmã Ana, Rita Maria e Fernando, nossos primos e, com certeza, muitos amigos de estrepolias como a Marlene, a SIlvia, a Marina, o Peter, etc.

Tudo era uma festa, exploramos cada canto daquela cidade na vertical, era um mundo encantado. Os três primeiros andares, as sobrelojas, eram um mundo a parte, ali brincamos de pique-esconde, de corda, de correr, de casinha, de roda, etc.

O Bloco B e suas rampas eram um luxo! Começavámos a descer correndo no 32o. andar e só paravamos no térreo, haja folego!

O terraço, loucuras por ali fizemos, sentavamos na marquise que servia de telhado para nossa casa, com as pernas balançando para fora do prédio. Só de lembrar sinto um frio na barriga.

Aprendemos a andar de bicicleta segurando na grade do terraço. Fizemos um "book" todo original, vestidas de hippie e com a cidade de São Paulo como pano de fundo. Muito chique!

Domingão era dia de Feira Hippie na Praça da República, divertíamo-nos muito, com figuras incomuns e muitos garotos bonitos para paquerar. É isso mesmo, paquerar, olhar e corar. Nessa época as meninas coravam e os meninos engasgavam ou gaguejavam. Era muito bom!

Ah! Conhecemos o Roberto Carlos pessoalmente, tomando café da manhã em nossa casa, e vimos a filmagem de seu filme "Há duzentos quilometros por hora". Arranjei vários amigos temporários por causa disso!

Conversei pessoalmente com a Marília Pera, ela é fantástica, deu a maior força para a minha veia literária.

Sempre tive muitos sonhos e desejos a serem realizados, era, realmente, inocente e sem malícia, então sempre esperei muito da vida. Hoje, no aqui e agora, aos cinquenta e seis anos, posso dizer que amo muito o que vivi e estou apaixonada pelo presente, e o futuro...?

Sonhos e mais sonhos
e sei que poderei fazê-los real,
é só acreditar,
e eu acredito,
afinal sou uma garota
dos anos 70. 


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Nada encoraja tanto ao pecador como o perdão. (William Shakespeare)

Tive a felicidade de conviver com uma pessoa incrível, minha avó materna, a Dona Nenê. Ela sempre nos dizia sobre a importância de sabermos pedir "desculpas" ou "perdão", e enfatica, nos fazia raciocinar sobre as razões de nossas ações. pois cada uma delas tinha o seu valor; e, esse valor, está relacionado a quem nós somos. Confesso que, somente hoje com cinquenta e seis anos, passei a entender um pouquinho do que dizia essa pequena senhora sorridente, mas que em minhas lembranças sempre foi de alta estatura. Dona Nenê nasceu em 1880, viu a abolição dos escravos, brigou pelo que é certo, defendeu seus direitos numa época em que a mulher nem mesmo podia votar, e segundo ela foi depois desse evento que acabamos arranjando confusão com o mundo masculino. Meu avô Antonio, marido dessa maravilhosa senhora, nos contava que casou com ela por causa de acordo familiar, ele com 32 anos e ela com 13 anos, ele boêmio e boa vida, ela consciente de seus deveres e também de seus direitos. No primeiro mês de casado, ele sumiu por uma semana, saiu à noite de terno branco, violão apoiado no ombro e foi pela noite francana do final do século XIX (1893), voltou uma semana depois, assim que bateu na porta, nunca antes trancada, recebeu de imediato o peso de uma enorme trouxa de roupas, ali estavam seus pertences pessoais, foi literalmente jogado fora de casa (isso em 1893). Ficou sentado na soleira da porta por mais uma semana, alimentado pelos vizinhos, que achavam um horror o comportamento da menina petulante. Voltou para casa e cumpriu à risca as exigências de sua esposa, a quem respeitou até o seu último suspiro.

Estou falando um pouquinho de minha querida avó Nenê, para que possam ter uma idéia da força dessa mulher, da importância de sua presença em minha vida. Ela nos dizia que quando inventaram a desculpa e não explicaram a sua importancia, nasceu o primeiro sem vergonha, e hoje o que mais se vê por aqui são situações que comprovam essa teoria. Afinal, se fizermos algo errado, ou magoar alguém, basta pedirmos desculpas; se fizermos de novo, pedimos desculpas de novo; e, assim os valores estão sendo corrompidos de tão maneira que não mais nos importamos em abaixar a cabeça e ...

Determinadas ações somente passam a ter valor intrínseco e real quando vem precedido de reflexão, se cometo alguns enganos em minhas ações, preciso urgentemente, descobrir os motivos que me levaram a esse deslize. Se magoei alguém, preciso saber o porquê e modificar minha ação de maneira consciente, justificar meu engano de forma clara e concisa, sem delongas e sem a sensação de estar me humilhando perante o meu ofendido. Afinal de contas, se chego a conclusão que realmente atropelei minhas idéias e as corrompi com sentimentos desequilibrados, o ato de pedir desculpas ou perdão, é apenas consequência direta de um exercício danado de bom, o do auto-conhecimento, que nos leva a auto-transformação, que nos possibilita brilhantes momentos de humildade e não de humilhação; outra bagunça que ainda andamos praticando: confundir humildade com humilhação.

Então chego a uma conclusão pessoal que é o início de nossa reforma intima, pessoal e instranferível:

Sou a única pessoa no mundo
que eu realmente queria
conhecer bem, afinal só posso fazer alguém
feliz, quando entender a minha
felicidade.



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Felicidade Realista - Mario Quintana

Felicidade Realista

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.

Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.

Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.

Olhe para o relógio: hora de acordar.

É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.

Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração.

Isso pode ser alegria,
paixão,
entusiasmo,
mas não felicidade...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

POLÍTICA DO PÃO E CIRCO NA GLOBO - BIG BROTHER BRASIL


Durante o Império Romano, as lutas de gladiadores, corridas e encenações, serviram como instrumento para distrair a atenção da povo romano de suas reais necessidades, e, foi denominada de política do "pão e circo" ou "panis et circenses". 
Através da diversão, descompromissada com a intelectualidade, o Estado promovia espetáculos que eram usados como meio de afastar os plebeus dos assuntos políticos e das cobranças sociais. Os Césares alimentavam o povo com distribuição mensal de pães e o distraia com espetáculos dantescos, dessa maneira, o povo, de barriguinha cheia e os olhos e ouvidos ocupados com os escandalos apresentados na arena e compartilhado por seus governantes, estava sob controle absoluto, e por conseqüência essa política tacanha transformou-se no seguro instrumento para a manutenção de governos absolutistas, e acaba por impossibilitar o processo de educação que nos qualifica a exigir modelos de governos mais justos.

Atualmente, temos uma arena em exposição, todos os dias, em horário marcado e divulgada em meio de comunicação de amplo alcance. E o que mais me assusta é a conformidade de um povo em permanecer com seus televisores ligados, assistindo essa barbaridade que é mais uma maneira de nos manter ignorantes e passivos; enquanto isso o povo emburrece e engole de susto a sua própria iniquidade, sem capacidade intelectual de avaliar o mal que nos causa esses momentos, de barriga cheia e olhos e ouvidos ocupados.

Repasso abaixo excelente texto de Luiz Fernando Veríssimo sobre o assunto, por favor, vamos exercitar nosso princípio inteligente e rejeitar esse lixo, sem utilidade melhor, que apenas ocupa espaço em nossas mentes. 

Só a educação liberta.

 
BIG BROTHER BRASIL  (Luiz Fernando Veríssimo)
 Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A  décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...
 Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
 Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que  recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ler a Bíblia, orar, meditar, passear com os filhos, ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.


Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.
Um abismo chama outro abismo.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

AMAZONAS DA NOITE - MARÇO DE 2011

A felicidade de psicografar um livro junto ao Espírito Vinicius (Pedro de Camargo), também traz momentos de adorável expectativa para saber e ver como ficará após ser editado, ou seja, como será a sua "cara" (RS).
O trabalho de correção, diagramação, composição artística da capa, enfim, a formatação do livro para que agrade ao leitor, fica sob a responsabilidade da editora.
A Editora com a qual compartilho o trabalho que realizo, como médium de psicografia, desde o ano de 2005, é a Lúmen Editorial, representada pelos queridos amigos Celso e Ricardo, que dispõe de uma competente equipe de trabalho.
E aí está o Amazonas da Noite!
Uma história que me cativou desde o início, pois trata de um assunto bastante pertinente a nós mulheres, ainda limitadas dentro de uma sociedade que evoluiu dentro de conceitos paternalistas/machistas; que, em muitas ocasiões, terminaram por transformar os relacionamentos em tristes momentos de desrespeito e violencia.
Amazonas da Noite é o nome de uma comunidade localizada em região de baixa vibração, que acolhe mulheres desencarnadas, vítimas de violencias inúmeras, ainda revoltadas e vingativas, e que sob o comando de sofrido espírito, que se denomina Pentesiléia, passam a viver alimentando o ódio e o desequilíbrio emocional e psíquico, com um único objetivo: VINGANÇA.
A adorável jovem Ana, membro da equipe de socorristas, sob a coordenação de Vinicius (Pedro de Camargo) e Ineque, acaba por lembrar-se de uma passagem por essa comunidade, momento em que dividiu o comando com Pentesiléia, com o nome de outra amazona famosa, Hipólita, e que acabou por definir o seu caminhar em direção de um mundo melhor. Ao lembrar-se desses momentos, Ana se dispõe a auxíliar no resgaste de suas irmãs amazonas, relacionamento ainda bastante doloroso, pois se originou em uma época vivenciada sob a visão distorcida por sentimentos desequilibrados.

domingo, 23 de janeiro de 2011

EU TENHO UM AMIGO CHAMADO JULIO


Eu tenho um amigo chamado Julio! Ele é assim: uma linda figura, nos dois sentidos, fisicamente e também na alma, que acaba por se refletir nos seus olhos, tornando-o único e de uma beleza assim... sentida e nunca descrita.
A primeira vez que vi esse querido amigo, foi na Sociedade Espírita Cáritas, ele veio para um atendimento fraterno, e a atendente seria eu, a Eliane Macarini.
Ninguém nos apresentou, nós já nos conhecíamos, não importando de onde e nem de quando.
Sentamos um na frente do outro e rimos muito, se me perguntarem o assunto não sei, mas lembro de cada momento, pois estava muito feliz, estava conversando com um amigo, no final não sabia mais quem era o atendente fraterno: eu ou ele?
Depois de algum tempo, nos despedimos, ele convidado a frequentar a sociedade, e ele compromissado a fazê-lo, então lembrei que nem sabia o nome do meu amigo:
- Qual o seu nome? - perguntei rindo.
- Julio e o seu é mesmo? - também rindo, pois até aquele momento não precisamos de nome para nos entender.
- Eliane. - respondi, mas até hoje, como na conversa somos: obsessor, obsessa, espírito das trevas, sombrio, etc., sempre com bom humor.
Hoje, voces acreditam, que nem sei há quanto tempo, ele ainda é o meu amigo, de quem sinto orgulho de acompanhar o caminho, pois é um caminho iluminado, como ele mesmo. Sempre digo, que se, pudesse escolher mais um filho seria ele, o AMIGO JULIO.
Acabei de vê-lo no facebook e senti necessidade de partilhar com aqueles que por aqui andam, esse bem maior, a felicidade de compartilhar o caminho com voce, meu amigo.

Bom dia, amigo
Que a paz seja contigo
Eu vim somente dizer
Que eu te amo tanto
Que vou morrer
Amigo... adeus


CARTAS PARA JULIETA





             Há alguns anos, ainda morava em São Paulo, nos doces quinze anos de minha vida, presenciei uma cena que nunca se apagou de minha mente. Eu e uma amiga estávamos voltando da Feira dos Hippies, na Praça da República em São Paulo, bem ao lado do Colégio Caetano de Campos, na Avenida Ipiranga, ríamos muito entre um comentário e outro, e distraídas não percebemos o rapaz que vinha em nossa direção, então... minha amiga e o rapaz se encontraram em um abraço e, admirados, ficaram assim, um olhando para os olhos do outro.
           Não sei quanto tempo foi, mas foi intenso encontro de duas almas que se entenderam em um segundo, um minuto ou uma hora.
         Fiquei quieta, confesso que encantada com os sentimentos que via, uma troca de carícias em apenas um olhar, e a expressão de ambos era de deleite, de realização de um sonho, de encantamento mesmo.
           Em poucos instantes uma vida inteira se passou, uma experiência incrível que apenas observei e ficou gravada em minha mente e em meu coração, tamanha a intensidade percebida e sentida.
          Não sei ao certo o que os trouxe à realidade, mas eles se olharam com angústia, como quando acordamos de um sonho fantástico, sabendo que ele não mais se repetirá; as mão que antes ensaiavam um abraço, foram afrouxando e se afastando deprimidas e carentes. 
         Ambos sussurraram desculpas de olhos baixos, como envergonhados de não ter a coragem de segurar aquele momento.
          Voltamos para casa, silenciosas, minha amiga quieta o resto do dia, apenas sorria entre lágrimas não explicadas. A noite nos encontrou deitadas em nossas camas, ainda silenciosas, então ela me disse:
            - Amanhã volto lá, e depois e depois e depois, até o dia em que voltarei para minha casa.
        Assim foi feito, mas o seu sonho ficou ali, esperando na esquina da Avenida Ipiranga com a Avenida São Luis.
          Isso aconteceu há quase cinquenta anos, como no filme "Cartas para Julieta", e até hoje, eu sei que ela sonha com aquele momento mágico, onde encontrou um sentimento sem igual, que acabou por definir tudo em sua vida como nebuloso, pois nada nunca se comparou àquele momento, um sol divino e encantado. 
           Então, escrevo a todos que ainda sentem a incerteza de algumas escolhas, e se veem limitados entre o "e" e o "se", para dizer que sempre podemos recomeçar e resgatar nossos sonhos mais lindos.
         Estou gostando de postar esse texto, e fico aqui imaginando, se aquele rapaz que teve um raríssimo encontro de amor na Avenida Ipiranga com a Avenida São Luiz, ficou tão impressionado com aquele sentimento de plenitude que o fez gozar uma felicidade sem igual, incomparável com tudo que sentiu até hoje, não teria a coragem de procurar o seu amor.
        E se isso acontecer?
        E se eu tiver a oportunidade de escrever uma nova história? 
            Não o final de uma história, mas um novo começo.
      Não seria intrigante, saber que a vida sempre dá um jeito de nos proporcionar uma nova oportunidade?

Carta para Claire



“…’E’ e ‘Se’ são apenas duas palavras tão inofensivas quanto qualquer palavra. Mas coloque-as juntas, lado a lado, e elas têm o poder de assombrá-la pelo resto da sua vida.
‘E se’…
E se?

E se?
Não sei como sua história acabou. Mas se o que você sentia na época era amor verdadeiro, então nunca é tarde demais.
Se era verdadeiro então, por que não o seria agora?
Você só precisa ter coragem para seguir seu coração.
Não sei como é sentir amor como o de Julieta, um amor pelo qual abandonar os entes queridos, um amor pelo qual cruzar oceanos.
Mas gosto de pensar que, se um dia o sentisse, eu teria a coragem de aproveitá-lo.
E, se você não o fez, espero que um dia o faça."

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

AINDA SOBRE PRECONCEITO - HOMOSSEXUALIDADE

Tive a felicidade de psicografar o livro "Aldeia da Escuridão" com o querido amigo Vinicius (Pedro de Camargo), e um capitulo saltou aos meus olhos devido o raciocínio coerente de um dos personagens, o Dr. Adalton, quando conversando com seu filho Claudio, sobre o jovem Toni. Espero que gostem, confesso que me fez pensar, refletir, questionar meu posicionamento a respeito de alguns conceitos ainda pendentes em minha cabeça, ou definindo melhor o meu sentir: conflito caótico (RS).




ALDEIA DA ESCURIDÃO
CAPÍTULO XVI

Servir a Deus e a Mamon  - Salvação dos Ricos

1. Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer um e amar ao outro, ou há de entregar-se a um e não fazer caso do outro; vós não podeis servir a Deus e às riquezas. (Lucas, XVI:13) – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Capítulo XVI – Servir a Deus e a Mamon – Salvação dos Ricos – Ítem 1.

            Adalton encontrava-se em sua residência, quando chegou Cláudio, seu filho de 32 anos, ainda solteiro.
- Boa noite, pai! E a mamãe está em casa?  - Perguntou Cláudio.
- Não, ela foi à Casa Espírita, integrou-se a um grupo de iniciantes, ela e o Nelson, são os responsáveis em dirigir esse estudo. – Respondeu Adalton.
- Muito bom! A mamãe se realiza nesse tipo de trabalho. – Falou Cláudio.
- Por isso quando não precisamos mais de sua contribuição financeira para o sustento da casa, conversamos e decidimos que ela deveria se afastar do trabalho como secretária, e então passou a se dedicar ao trabalho voluntário. – Falou Adalton.
- E eu sei que ela muito tem ajudado. Outro dia mesmo encontrei aquela moça, psicóloga, que também é voluntária no orfanato, e ela me disse que eles agradecem muito o trabalho de mamãe junto às crianças e também na organização financeira da instituição. – Falou Cláudio.
- Você se refere à Mara? Ela tem estudado conosco, aqui em casa, as quarta-feiras. – Falou Adalton.
- Parece que, realmente, ela descobriu a Doutrina Espírita, senti que está encantada com o que vem descobrindo. – Falou Cláudio.
- E você? O que o traz aqui no dia de hoje? – Perguntou Adalton.
- Eu preciso ter uma conversa séria com você e mamãe, é a respeito do Toni. – Falou Cláudio.
            Adalton abaixou a cabeça e perguntou:
- Pode ser comigo primeiro? – Perguntou Adalton.
- Eu até prefiro, mas depois precisamos falar com mamãe. Eu até acredito que você já saiba do assunto, mas sinto que é importante conversarmos a respeito, principalmente para ajudar o Toni. – Falou Cláudio.
- Pode falar, meu filho, eu apenas desconfio do que seja. – Respondeu Adalton.
- Pai, você sabe que o meu irmão sempre foi diferente, às vezes, eu atribuía suas esquisitices por ser temporão, hoje ele conta com vinte e três anos, e eu já tenho trinta e dois, são nove anos de diferença. Quando ele nasceu foi uma festa, pois nós já estávamos bem crescidinhos, então todos o mimamos muito, não parecia nosso irmão mais novo, mas sim responsabilidade de todos nós. – Falou Claudio
- E o menino era arteiro, como era danado! Nós não podíamos descuidar um só segundo dele, pois ele já estava aprontando. – Falou Adalton.
- Ele era levado da breca, como dizia a vovó Antonia, mas ele não era maldoso. Gostava de aventuras, mas agora estou preocupado demais com ele. Você sabe que ele nunca teve uma namorada que durasse mais de uma semana? E outro dia ele chegou à casa muito nervoso, e desde que ele foi morar comigo, há dois anos, para ficar próximo da faculdade, essa foi a primeira vez que o vi descontrolado. – Falou Cláudio.
- Realmente, é preocupante, pois o Toni é bastante calmo e somente toma decisões após pensar muito no assunto. Mas porque você fez o comentário de que os namoros de seu irmão não duram? – Comentou Adalton.
- Por que esse foi o motivo de sua irritação. Ele me disse, depois que insisti muito em saber o que estava acontecendo, que seus amigos de faculdade andam fazendo pilhérias com ele, justamente por não ter namorada. Disseram a ele que deve ser homossexual, e não nessas palavras, mas com termos de deboche. – Falou Cláudio.
- Meu Deus! Isso deve tê-lo magoado muito. – Falou Adalton.
- Por terem dito a ele que é homossexual? – Perguntou Cláudio.
- Não, pela falta de respeito da qual foi alvo, Toni leva muito em conta esse aspecto em seus relacionamentos, sejam de que tipo for. – Falou Adalton.
- Pai, eu vim até aqui, pois eu receio que realmente o Toni tenha tendências homossexuais. Por favor, não me leve a mal, eu só quero o bem de meu irmão, o senhor sabe o quanto nós o amamos. – Falou Cláudio, demonstrando constrangimento.
- Por que o receio, meu filho? – Perguntou Adalton.
- Como por que o receio? O senhor sabe que a homossexualidade é um desvio grave! – Respondeu Cláudio.
- O que sei é que a homossexualidade é uma anomalia comportamental do espírito que pode se manifestar por várias razões, todas ligadas às deficiências morais, devido desvios dessa ou de outras encarnações. O que sei é que precisamos entender que o Toni passa por momentos de expiação e de provação como todos nós, apenas suas dificuldades despertam atitudes preconceituosas de outras pessoas. – Respondeu Adalton.
- Pai eu não tenho preconceito contra meu irmão, apenas estou querendo ajudá-lo. – Respondeu Cláudio.
- Eu sei de suas boas intenções, vamos fazer uma comparação: lembra quando a Leia, sua irmã, durante a adolescência manifestou tendências a maledicência? – Perguntou Adalton.
- Lembro sim, nós conversamos sobre o assunto, quando o senhor nos pediu ajuda, dizendo que ela precisava de nosso apoio e de nossa compreensão e não de nossas críticas agressivas. – Respondeu Cláudio.
- O que há de diferente no caso de Toni? – Perguntou Adalton, olhando nos olhos de seu filho.
- Mas, pai, o caso é totalmente diferente, agora é assunto moral grave. – Afirmou Cláudio.
- E a maledicência? Não é também um vício moral grave? – Perguntou novamente Adalton.
- É diferente! É que a sociedade cobra muito esse tipo de comportamento, enquanto a maledicência... – Falou Cláudio.
- A maledicência pode até passar despercebida, não é? Então, nós não nos vemos expostos a opinião alheia, e como resultado nosso orgulho não é ferido, enquanto que ter um homossexual na família, soa como defeito de todos, isso nos deixa extremamente envergonhados. – Falou Adalton.
- O senhor está sendo duro comigo. – Falou Cláudio.
- Estou dizendo alguma bobagem, filho? – Perguntou Adalton.
- Não, pai, mas para mim é difícil ver nosso pequeno Toni dessa maneira. Gostaria que ele fosse forte o bastante para sublimar as necessidades físicas. – Falou Cláudio.
- E dessa maneira livrá-lo do vexame? Sublimar é ação de espírito mais esclarecido, e pouquíssimos de nós, ainda necessitados de experiências reencarnacionistas, temos a capacidade de sublimar sensações tão fortes. – Comentou Adalton.
- Eu ainda não entendo porque se expor a uma encarnação de tanto conflito, no caso da troca de sexo, e como isso poderá auxiliar um espírito que não conseguiu superar viciações naquilo que já lhe era familiar. – Questionou Cláudio.
- Cada caso é um caso, nunca poderemos avaliar o resultado de um trabalho reencarnacionista baseados no resultado de outro. Todos nós temos características de personalidade própria, desenvolvidas conforme vivenciados e sentimos tudo que experienciamos, tanto no plano material como no plano físico. O que sei sem sombras de duvida é da bondade de Deus e da confiança que tenho no plano dos espíritos melhores, e que, não raras vezes, nos deliberam experiências que apenas visam quebrar padrões viciosos. Um dos casos mais comuns é a troca compulsória do sexo, que em um primeiro momento pode mostrar-se traumática e dificultosa, mas que também nos leva a sofrimentos atrozes, que nos obrigam a questionamentos morais. – Falou Adalton.
- Por que sublimar seria tão difícil? – Perguntou Cláudio.
- Somente um espírito de elevação moral superior conseguiria essa sublimação, através do direcionamento da energia concentrada no centro genésico, que é energia de criação. Atualmente, podemos citar dois exemplos de dignidade moral: Divaldo Pereira Franco, que redirecionou essa bendita energia para a palestra e Chico Xavier para a psicografia, e ambos são responsáveis por uma quantidade de obras especialmente importantes para a humanidade. E você acredita, meu filho, que um espírito ainda ignorante, teria a capacidade de sublimar a energia sexual que cobra a satisfação de necessidades físicas através do contato material? – Perguntou Adalton.
- Você tem razão, pai, mas ainda é muito difícil para mim, ver meu irmão dessa maneira. – Falou Cláudio.
- Bom!? Então podemos deduzir que você tem um problema? – Perguntou Adalton.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

OUVIDOS PARA OUVIR?

Esse texto foi inspirado em um desabafo de querida amiga, que acabou por despertar em mim, algumas indagações pessoais, então... aí vai meus agradecimentos a voce por ter auxiliado a torna-me um pouco melhor, ou pelo menos, a questionar determinadas posturas diante de situações até mesmo corriqueiras.

Estava sentada na calçada, ainda triste com os últimos acontecimentos da minha vida. Refletia, pensava, questionava sobre tudo o que andava experimentando de sentimentos e era uma crise só. Havia até alguns momentos em que duvidava de minhas razões, afinal não era um ser perfeito, mas também não era tão ruim assim, somente tinha algumas opiniões tão certas a respeito de determinados assuntos, que não conseguia perceber a razão da discordancia do outro.
Estava eu, aqui e agora, sozinha e todos dizendo que a culpa pertencia a mim, que não sabia ouvir o outro e ser flexível quanto a opinião alheia.
Chorei baixinho para ninguém ouvir, abaixei o rosto para ninguém ver minhas lágrimas, que teimavam em molhar meu rosto, denunciando a minha dor e a minha solidão.
Será que nào soube ouvir, será que não soube calar; mas... e agora?
O que faço para descobrir onde foi que errei, onde foi que perdi a minha paciencia, onde foi que me tornei intolerante e sempre amarga, a ponto de não mais enxergar a beleza das diferenças?
Onde foi que deixei de lado a minha feliz capacidade se gargalhar? De rir de uma queda e transformá-la em um passo de dança, como disse Fernando Sabino?
Pensando nas questões ainda sem respostas, descubro encantanda que ainda sei amar e somente essa capacidade virtuosa conseguirá reerguer-me da dor insana e desnecessária.
Então lembro ainda de mais um Fernando, agora o Verissimo, quando disse em seu poema Quase:

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.