domingo, 27 de maio de 2012

Isso é ingratidão ou apenas...

Se algum dia você for surpreendido pela ingratidão ou pela injustiça, não deixe de crer na vida, não deixe de ser um exemplo, não deixe de amar e não deixe de se construir pelo trabalho. (Alfredo Martini Júnior)
          
            Há dias ando meio chumbrega, ando vivendo algumas experiências que tem ocasionado certa dor, não sei ainda se essa certa dor é derivada de minha própria incompreensão, ou da incompreensão do outro.
            As minhas lembranças são tão nítidas e claras, que, em muitas situações, me vejo vivendo o oposto da lembrança do outro. Essas lembranças, eu sei muito bem, adquirem a aparência de nossos sentimentos e de nossa visão daquele momento, justifico assim as diferenças; mas, essas diferenças assumem pontos conflitantes tão opostos, que acabo por me questionar sobre a veracidade de minhas lembranças.
            Ainda muito jovem, uma aprendiz de tudo, uma folha quase em branco, ouvia algumas opiniões de minha avó Nene, sobre a necessidade de sermos lúcidos em nossas vivencias, para que essas experiencias pudessem de alguma forma, mais suave ou mais intensa, nos ajudar no processo de educação de nosso espírito. Uma das frases mais nobres dessa pequena senhora era: “Lembre-se dos sentimentos despertados por sua ação ou pela ação dos outros, isso fará com que você saiba escolher melhor nas próximas oportunidades”.
            Demorei um pouco mais acabei entendendo a intenção de Dona Nene; “Faça ao outro o que gostaria que fizessem a você.”, também um aconselhamento de nosso admirável irmão Jesus.
            Diante dessas considerações, volto aos meus questionamentos sobre minhas lembranças e minhas razões, afinal, é isso que me incomoda hoje, e é sobre isso que necessito refletir.
            Lembro de algumas situações vividas,  nas quais permaneci ao lado de algumas pessoas, incondicionalmente, independente da qualidade de suas ações, com a intenção única de auxiliar a sair, não raras vezes, de padrões mentais tão doentes e sofridos, que a razão não mais se fazia presente. A minha visão de auxiliar alguém, seja quem for, está baseada na verdade, aquela que enxergo, e não admito a mim mesma, uma posição dúbia, mas sim de alerta diante do problema, e vendo tudo isso como oportunidade de agir na construção da própria vida, assim é uma visão de esperança e responsabilidade sobre o que escolhemos, e que pode dar certo ou não, afinal somos cem por cento donos de nossa vida.
            Outra coisa que também preso muito, ser uma ouvinte e opinante de confiança, afinal o que conversamos sozinhos, assim permanecerá, e então não adianta perguntar a razão disso ou daquilo, pois ninguém saberá.
            Certa ocasião uma pessoa me questionou a respeito da qualidade de minha relação com uma pessoa muito querida, que andava meio embaralhada em suas escolhas, cobrando uma atitude mais rígida e firme de minha parte; mas, como poderei expor meu relacionamento com alguém que confiou em meu silencio? E qual a necessidade de outro saber o que eu disse ou não disse a um terceiro? Fará diferença para aquele que anda sofrendo consequências de sua própria insensatez? Acrescentará algo positivo para que no futuro faça escolhas melhores? Divulgar o pensamento alheio é um ato de fé em si mesmo e na potencialidade do amor que constrói?Ou apenas uma maneira de satisfazer a curiosidade do outro?
            O que ocasionou essa reflexão foram alguns fatos acontecidos recentemente, alguns comentários, uma palavra jogada aqui, outra ali, que despertou uma dor surda em meu coração; pois, alguns desses fatos ou comentários, não reproduzem a verdade, aquela que, realmente, ocasionou a ação de alguém; mas, eu sei de minha ação e de minhas razões, que foram em busca de resolver algo e transformar esse acontecimento em algo produtivo.
            Sei das limitações dos outros, pois eu as tenho como minhas, pois ainda transito de maneira confusa entre o real e o imaginário, então, penso muito antes de realizar uma ação, seja ela efetiva ou não, verbal, mental ou apenas um descompromisso com o outro. Penso sobre o que ocasionará a minha ação ao meu “alvo”, sobre a qualidade das minhas intenções, afinal eu acabo agindo no mundo de alguém e quero, sinceramente, que essa ação produza algo bom.
            Por que estou sofrendo? Por sofrer ações ingratas? Ou eu estou sendo ingrata com as lembranças alheias? Qual o valor do direcionamento que procuro dar as minhas ações? Serão eles uma maneira de ser hipócrita? Ou realmente eu sinto o que faço como correto?
            Sei que as questões que nos incomodam acabam nos auxiliando no excelente processo de aprendizado moral, mas ainda sinto dor, nessa caminhada, e não raras vezes, lesada no amor que dedico aos que tanto preso.
            Ainda pergunto a esse espírito ignorante, eu mesma, sobre o valor de minhas relações afetivas, pois não é raro, ter a sensação de ser apenas aquela que é necessária nos momentos de sofrimento, para logo em seguida ser esquecida como parte indesejável desse momento.
            Hoje, sinto uma solidão imensa que me envolve, pois preciso ser escutada, mas o barulho a minha volta, acaba por calar a minha voz.
            Cora Coralina fez um poema que descreve a minha dor de hoje, mas isso passa e amanhã é um novo dia, e o bom é que a minha crença ainda faz par com a frase que iniciei essa prosa amiga:
Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

REFLEXÃO SOBRE A VIOLENCIA CONTRA A MULHER

Ouvimos e lemos histórias de violência contra a mulher e nos revoltamos, queremos que o famigerado autor do crime sofra todos os males possíveis e imaginários, que pague de maneira horrenda por seus atos desequilibrados.
E quando a história está próxima de nossa vida, de nossos amigos, de nossos familiares, então... os pensamentos vão longe, a imaginação cria e recria a nossa ação para cima do infeliz, isso mesmo é um infeliz.
Vocês podem até ficar bravos comigo, mas esses homens violentos são infeliz, há estudos sérios a respeito do assunto, psiquiátricos e psicológicos, e essas relações doentes e obsessivas, são resultado do posicionamento de ambos, aqueles que integram essa relação apodrecida e triste. 

A nossa visão imediata dirige a nossa reação devido visão da mulher vítima, um ser mais frágil fisicamente, muitas vezes sentindo-se incapacitada de sair de uma situação de crise, mas capaz, com certeza.
Vou comentar com vocês dois casos que me marcaram bastante:
1.  Trabalhou comigo uma moça muito querida pela minha família, e nos sentíamos impotentes diante da violência que sofria por parte do marido alcoólatra. Nós a aconselhamos a procurar a Delegacia da Mulher e dar queixa, e isso foi feito inúmeras vezes... sem resultado positivo para minha amiga e seus filhos vitimados.

Certo dia, ela chegou para trabalhar e eu fiquei chocada com o estado de violência que havia acontecido na noite anterior em sua casa, então ela me contou o seguinte:

- Eu estava dando banho nas crianças e ele chegou mais cedo do bar, o jantar não estava pronto e ele com raiva por eu ter dado preferência no cuidado de meus filhos, partiu para cima deles e me coloquei na frente.

Ela apresentava cortes e hematomas por todo o corpo, seu olho estava inchado e sangrando no supercílio, revoltada, e brava por ela permitir este estado de coisas, disse com firmeza:

- Olha aqui! Se você aparecer de novo nesse estado para trabalhar, a culpa é só sua. Ele é grande, ele é forte, mas não é dois. E você não é nenhuma incapaz para se defender, além do mais ele está alcoolizado e sem muitos reflexos. Ele só te bate, porque você permite, abaixa a cabeça e deixa acontecer. Então, minha amiga, eu te amo muito, mas não tenho mais pena de você.

Ela trabalhou o dia todo, chorando, e eu com uma vontade louca de me retratar e dizer que não era nada daquilo, mas no momento, era o que eu estava pensando.
Passou-se uns dias e ela chegou a minha casa, alegre e orgulhosa, dizendo:

- Mandei ele para o hospital.

Abismada, olhei para ela, com olhar de indagação.

- Eu estava fritando pastéis para as crianças, ele chegou bêbado, e avançou para meu filho, aí lembrei o que você falou. Parece que criei uma força enorme dentro de minha revolta, catei a frigideira com óleo e pastel e dei uma surra nele. Ele gritava tanto que o vizinho veio ajudar e acabou levando ele pro postinho da vila. Aí chegou a polícia e disse que eu posso ser processada por agredir o infeliz do meu marido, que vivia me agredindo. Olhei pro guarda e dei risada e disse para ele que não conhecia nenhuma Lei Mario da Penha.

Resultado: o marido de minha querida amiga saiu do hospital e voltou para casa. Na porta de entrada da residência, há vinte anos, tem uma frigideira pendurada como lembrete que ela pode reagir e colocá-lo em seu lugar.

Atualmente, eles tem dois netos, uma casa muito bem cuidada e mobiliada, ele não bebe mais e no dia do pagamento, ela espera por ele no portão com as mãos estendidas.

Precisava acontecer tanto sofrimento para uma pessoa reagir e descobrir que tem direitos?
Não, violência não se resolve com violência, mas precisamos descobrir que temos a capacidade de saber o que nos é permitido e o que podemos permitir, como também saber de nosso direito em aceitar ou não determinadas coisas, mas isso, vai um tempo longo, é um processo de reeducação social.

2.    Uma amiga recente percebeu que seu marido andava mudando o comportamento, passou a observá-lo e descobriu que estava fazendo uso de drogas. Conversou com ele, limitou seu acesso ao dinheiro, levou-o ao médico, mas... ele não queria a melhora.

Um dia chegando a casa depois de um longo e cansativo dia de trabalho, encontrou-o totalmente louco, queria dinheiro de qualquer maneira, dentro de seu desespero agrediu-a e também a criança que estava em seus braços.

Ela conseguiu fugir dali e foi a uma delegacia próxima pedir ajuda. Quando a polícia chegou a sua casa, ele havia levado tudo que podia vender ou trocar por drogas.

Ela chamou um chaveiro, trocou as chaves das portas, arrumou as coisas dele em caixas e deixou na casa dos sogros.

Quando o infeliz voltou a si e percebeu o que estava acontecendo, ainda tentou agredi-la, culpando-a de abandoná-lo naquela situação. Sabe qual foi a resposta de minha amiga?

- Você está muito enganado, descobri que até o momento eu estava errada escolhendo viver nesse inferno com você. Você fez uma escolha e não me consultou. Quando nos casamos, também nos compromissamos a resolver tudo juntos, quem abandonou essa casa, essa família foi você. Você nos trocou por uma cápsula de cocaína. E pode ter certeza que essa escolha é sua e não minha, e nem de meu filho.

Ela está bem, depois de um longo tempo de ameaças e perseguições, quando a questionei sobre ter medo dele, ela me disse:

- Tenho mais medo de viver presa a ele, do que morrer por lutar contra isso. Tenho mais medo de ver meu filho acreditando que usar drogas é normal, porque vê o pai fazendo isso, do que ser morta por ele. A minha luta é por liberdade, e apesar das perseguições e das ameaças, eu estou livre daquele inferno.
Sei que existem casos de violência extrema, que acabam em desgraça, mas... por que as coisas chegam a esse ponto?
Ser vítima não será permitir a invasão de nossos direitos?
Sei até mesmo que muitas dessas mulheres sofrem terríveis panoramas mentais, até mesmo chegando ao ponto de se considerarem culpadas da ação do outro, mas será que apenas uma lei fará diferença ou será o nosso posicionamento no exercício desta lei?
Ou será ainda nossa disposição em encontrar novos caminhos através das conquistas, como a Lei Maria da Penha?
Aí volto a questionar o processo de educação social, efetivamente, o que podemos fazer?
Não tenho respostas, estou em busca delas, apenas percebo que medidas paliativas não é solução, muitas vezes apenas prolongam a dor.
Qual a finalidade desse texto? Apenas um convite à reflexão.


Estou firmemente convencido

que só se perde a liberdade

por culpa da própria fraqueza.

(Mahatma Gandhi)

terça-feira, 17 de abril de 2012

CARIDADE PARA AS FORMIGAS

Trabalho como voluntária na Sociedade Espírita Cáritas, outro dia, coordenado um trabalho de educação mediúnica, na hora destinada aos estudos e reflexões, as pessoas começaram a questionar sobre a esmola.
Qual o valor de dar-se algo a alguém sem ter vínculos que levam a um processo de aprendizagem?
Dar dinheiro é certo ou é errado?
Então lembrei uma história vivida por uma prima muito querida, a Olga, e minha tia do coração, Anita Gilberto, a dona Nita como era conhecida, nessa encarnação.
Somando a essa minha experiência , minha conclusão sobre esse polêmico assunto está assentada em uma máxima do Evangelho de Jesus: Dar sem olhar a quem, ou, fazer o bem pelo bem. 

Só isso! 

Fácil? Não mesmo, afinal, espíritos impuros e ignorantes, ainda estamos descobrindo a diferença entre o bem e o mal.
E voltando a história de minha prima, a Olga estava sentada na porta de sua casa, na cidade de Franca, era domingo, final de tarde, observava a rua tranquila, vez ou outra passava uma criança de bicicleta, outra vez um carro dirigido por uma pessoa de olhos tristes ou alegres, e assim passava o dia. De repente, levantou os olhos e a sua frente um garoto lhe disse:
- E aí, tia, tem umas moedas para dar?
Naquele momento a Olga pensou:
-  Será que ele é do mal? Pode ser um ladrão! O que faço? Credo! Tô parecendo esse povo que só pensa mal dos outros, não quero isso não!
Sem saída, ali acuada entre a porta de sua casa e o jovem, que já via como um necessitado, resolveu manter a calma e disse sorrindo, daquele jeito especial que ela tinha, um sol que iluminava a todos:
- Dinheiro não tenho, mas posso fazer um lanche para você.
- Tá bom.
Ela entrou em casa e encontrou sua mãe, a tia Nita, na cozinha, terminando de limpar as louças, que logo perguntou se ela ia fazer bagunça de novo.
- Ah! Mãezinha tem um mocinho na porta com fome, vou fazer um lanche para ele com a sobra do almoço.
- Voce não toma jeito, não aprende mesmo. Eles não comem nada, jogam tudo fora, esses vagabundos só querem é dinheiro.
- De qualquer forma, eu vou fazer o lanche.
- Não falo mais nada. Faça do seu jeito, mas depois não reclama.
Rindo do jeito descrente da minha tia Niita, ela fez o lanche, entregou para o rapaz que o recebeu com um sorriso e agradeceu com amabilidade.
Uma hora após a inesperada visita, minha tia saiu de casa para visitar uma prima adoentada; mas, em poucos minutos estava de volta, com o rosto afogueado, gesticulando nervosa, enquanto falava coisas sem muito sentido. Preocupada, a Olga pediu a ela que se acalmasse e falasse com calma.
- Eu não falei? Eu não falei? Você com essa história de caridade... o desgraçado saiu daqui com o lanche na mão e agora está lá na esquina, jogado no chão e cheio de formiga.
Então a Olga sorriu daquela figura ímpar, amada e abençoada, sua mãe, e disse com calma:
- Mãezinha, eu fiz caridade para ele aqui e ele para as formigas lá na esquina.
Foi a vez de Dona Niita olhar para ela, e  gargalhando, disse:
- Só você mesma, para ver bondade nessa história.

Saudades de você querida prima, que sua estada por ai, no mundo dos espíritos, seja tão marcante como esse período que esteve conosco por aqui. Eu a amo muito, sempre!

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
Fernando Sabino

segunda-feira, 16 de abril de 2012

MEDOOOOOOOOOOOOOO



Ando meio assustada com os acontecimentos violentos que são veiculados por nossos meios de comunicação, ou que são vistos e sentidos cada dia mais próximos de nosso habitat.

A cada dia uma nova desgraça que parece ser mais terrível do que a do dia anterior, e quando questiono algumas pessoas sobre o assunto, ouço respostas inadmissíveis, e cada vez mais assustada e admirada com a passividade do mundo, e com respostas que defendem a idéia que isso é assim mesmo, afinal o planeta passa por um período turbulento entre duas eras, uma que termina (Provas e Expiações) e outra que está sendo ensaiada (Regeneração).

Tudo bem! Há prenúncios de uma mudança, para melhor, mas até lá como devemos agir?

Na posição do tudo bem é assim mesmo, e não nos movimentarmos?

Ou podemos, pelo menos, nos manifestar com indignação e cobrar uma mudança de postura de todos os envolvidos e auxiliar nesse processo de transformação?

Sinceramente não consigo enxergar o caminho da mudança se todos continuarem a espera do milagre da evolução, como se amanhã, com data marcada, tudo estará transformado, num  milagroso processo de mágica pura.

Ao contrário, aquela velha história do pão e circo é dia a dia mais óbvia, e não me sinto mais confortável como um palhaço bonzinho e simpático, mas, ultimamente, meu humor assemelha-se ao notável Coringa, que rosna, rosna e acaba perdido em suas próprias elocubrações.

Enfim, qual a nossa responsabilidade sobre esse momento vivenciado entre desequilíbrios e dores? Afinal, aconteceu na casa do vizinho e a casa do vizinho não é minha casa.

Há alguns anos ouvia falar sobre drogras, principalmente maconha, mas o número de usuários era reduzido diante do todo, e, realmente, era difícil encontrar um entre nossos familiares. E hoje como anda essa situação?

Toda família conta com um ponto de sofrimento, ou às vezes mais de um ponto, agora está dentro de nossas vidas. Agora está afetando a toda sociedade, e o processo de retomada a determinados valores morais, até então considerados exagerados, torna-se urgente. Estamos perdendo a liberdade de ir e vir, decorrente de nossa omissão e do nosso medo.

Uma sociedade que passa por essa experiencia terrível, onde um cidadão se ve excluído da maioria, pois aqueles que ainda insistem em manter uma postura reta e idonea é minoria, acaba por desencadear um grave processo de doença.

A gravidade dessa doença social está diretamente assentada em nossa não manifestação de vontade, afinal por aqui tudo vira piada, até mesmo as CPIs acabam sendo denominadas de maneira jocosa, assim quando falamos sobre o assunto, a primeira menção já é de brincadeira, como se o fato fosse apenas uma anedota infame.

Querem ver:
  • Comissão Parlamentar Interna dos Anões do Orçamento - parece algo irregular, ou perigoso, ou mesmo ilegal?  Para mim traz a memória os sete e felizes anões da estória de Branca de Neve, talvez com algumas modificações; tive a impressão que os da estorinha eram gente boa com boas intenções, e não figuras de baixa estatura moral querendo destruir o reino e não salvar;
  • Atualmente, temos a Comissão Parlamentar Interna do Cachoeira, nome pitoresco, ainda mais se voce estiver em uma cidade quente como Ribeirão Preto,´pense bem... CPI do Cachoeira, deve ser algo com frescor e que nos ajude a relaxar, relaxar, relaxar... até não mais entender do que se trata, afinal, é apenas mais um que explora a boa vontade e a ingenuidade do povo, que nem votar sabe; aqui e agora na minha opinião bastante leiga, só tem uma explicação: por falta de educação. E não estou falando de educação estética diante de momentos sociais, mas sim daquela educação ética que o individuo  sabe o que está fazendo, pois o faz através do uso de sua inteligencia, como por exemplo, no momento de votar.
Sabem... quanto mais eu penso... mais certeza tenho, que não devo temer de verdade o bandido da rua, aquele que invade minha casa, a minha vida, leva embora o produto de meu trabalho; esses são apenas o reflexo do pior, pois os piores são aqueles que usam terno, gravata, sapato de couro de crocodilo, ou então as senhoras de vestidos coloridos de grife caríssima, salto alto e muita maquiagem, e ambos carregam uma pasta também de grife (de preferencia confeccionada do couro de algum animal em extinção) onde carregam pseudos projetos sociais que visam apenas uma coisa: manter o povo ignorante sem direito a boa saúde e a boa educação, os traficantes ativos, os consumidores de drogas cada vez mais dependentes (são esses que invadem nossas casas casas, etc. em busca de fundos para pagar o seu vício).

O pior meliante é aquele que vai para o trabalho de jatinho, sentado confortavelmente na primeira classe, tomando bebidas caras e comendo torradas com caviar, sobem a rampa dos planaltos espalhados pelo Brasil e se dão ao direito de nos roubar a dignidade, a esperança e a fé no amanhã.

A esses está reservado, com certeza, um futuro pobre, anonimo na casa dos imbecis; enquanto para aqueles que lutam por um ideal verdadeiro e comum está reservado a eterna felicidade de ter sobrevivido a turba de ignorantes morais.

Hoje, estou muito brava, a cada dia mais e mais notícias infames são divulgadas e os mesmos sempre ocupando cargos de confiança, a serviço de um povo ainda tão simplório e ingenuo; hoje, estou mesmo brava, queria muito que fosse agora a hora de colocar o meu voto nas urnas, e dizer para esses párias sociais que a mamata acabou; mas, ainda temos tempo de pensar, analisar e ajudar aquele, que não consegue enxergar por si só, verdades tão bem escondidas atrás de promessas vãs e nojentas, ou até de um radinho para espantar os fantasmas da vida, que são eles mesmo que alimentam, ou seja, a miséria humana. DEUS NOS AJUDE!

Encontrou-se, em boa política, o segredo de fazer morrer de fome aqueles que, cultivando a terra, fazem viver os outros.
Voltaire

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012


Que beleza!
Cada livro que é lançado, sinto uma emoção indescritível, uma alegria simples e verdadeira.
O resultado de um trabalho bem sucedido junto a amigos especiais, então... quando analiso todo o processo, visualizo a importancia de cada obra editada.
Não são apenas livros com a intenção de lazer, são histórias verdadeiras, vividas por pessoas semelhantes a nós, que sofreram, aprenderam a equalizar a dor e transformar essas experiencias em instrumento de felicidade e liberdade.
São amigos especiais que partilham suas vidas com objetivo de auxiliar a tantos que vivem experiencias semelhantes, a sofrer menos, a questionar mais, a acreditar que a vida tem um movimento constante de equilibrio, basta que acreditemos em nossa capacidade de transformar dor em felicidade, afinal nossa origem é divina.
Maurício, querido amigo, com quem convivo há alguns anos, vem relatar sua caminhada por essa terra bendita, os momentos de desequilibrio que, aos poucos, foram sendo transformados em aprendizado, revelando assim, uma nova maneira de enxergar a vida.
Apaixonei-me por sua história desde o primeiro momento, e
 hoje, dia 04 de janeiro de 2012, dia do meu 57o. aniversário, partilho com voces, esse presente íncrivel, a reedição do livro "Vidas em Jogo", que no ano 1998 marcou uma nova fase em minha vida como médium e estudiosa da Doutrina dos Espíritos.

Deus abençoe a todos caminhantes da divina bondade.

Eliane Macarini

terça-feira, 15 de novembro de 2011

MEGAFEIRÃO DO LIVRO EM ARARAS

Lúmen presente no 2º Megafeirão de Araras (SP)


A Editora do IDE - Instituto de Difusão Espírita promoverá nos próximos dias 19 e 20 de novembro o 3º Megafeirão de Livros Espíritas, Espiritualistas e de Autoajuda de Araras (SP). O evento acontecerá nesses dois dias, das 09 às 17 horas, na Avenida Otto Barreto, nº 1.067, no Distrito Industrial II, em Araras-SP, com entrada franca.
 O 2º Megafeirão de Livros Espíritas, Espiritualistas e de Autoajuda é organizado pelo IDE com apoio de oito centros espíritas e uma equipe de mais de 100 voluntários. O local conta com toda a infra-estrutura como guarda-volumes, espaço infantil, lanchonete e bateria de caixas com máquinas de cartões magnéticos, numa área de exposição de mil metros quadrados, além de amplo estacionamento e auditório com capacidade para 400 pessoas, onde os visitantes poderão participar gratuitamente de palestras.
 O evento contará com a participação de 40 editoras, 4 mil títulos e mais de 150 mil livros com descontos de até 70%.
A Lúmen Editorial estará presente com todas as suas obras e sessões de autógrafos com as médiuns Eliana Machado Coelho (sábado e domingo) e Eliane Macarini (só no domingo).
Como parte da programação, já estão sendo distribuídos às escolas da cidade vales-livros, com os quais as crianças poderão retirar, gratuitamente, um livro especialmente editado para elas. Outras promoções para quem adquirir as obras básicas do Espiritismo também estão previstas.

Expectativa dos organizadores Segundo o presidente do IDE, Wilson Frungilo Júnior, o feirão do livro pode ser classificado como uma grande festa e uma excelente oportunidade para todos que se interessam pelos conhecimentos no segmento espiritualista, principalmente, pelos interessados na Doutrina dos Espíritos. "Lá poderão ser encontradas as grandes obras de Allan Kardec, Chico Xavier e todos os consagrados autores dessas áreas", assinala Frungilo.
Na primeira edição, realizada ano passado, como um projeto piloto, mais de 7 mil visitantes passaram pelo feirão durante os dois dias. Para este ano, a expectativa dos organizadores é que o número de visitantes seja superado por conta da ampla divulgação em várias cidades da região.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

IV FORUM CAMINHOS - O ESPÍRITO NA CIENCIA



IV Fórum Caminhos: O Espírito na Ciência
12 de novembro de 2011
Oásis Tower Hotel, Avenida Maurílio Biagi, 2955, telefone 3878.3000, Ribeirão Preto
Ementa: será uma oportunidade para se refletir sobre os avanços científicos na investigação da mente humana e o desafio que estes conhecimentos impõem ao espírita, considerando-se que os conceitos de alma e de mente aproximam a Ciência do Espiritismo. Quais as linhas de pesquisa disponíveis para investigar a mente humana na atualidade? Quais os resultados mais instigantes destas investigações, suas limitações e consequências? Existe discordância e/ou complementaridade entre as teorias científicas sobre mente e as teorias espíritas sobre Espírito? Existe um olhar que supere a aparente oposição entre Ciência e Espiritismo? Elaborar olhares capazes de nos levar para além das aparências do conhecimento contemporâneo é o objetivo do projeto da Associação Caminhos para o Espiritismo para o biênio 2011-2012. No IV Fórum Caminhos convidamos quatro pesquisadores, sendo três espíritas (Alfredo Rodrigues, Célia Mantovani e Nilza Pelá) e um não espírita (Cleiton Aguiar), que aceitaram compartilhar seus saberes em resposta ao desafio lançado.
Programação
13:30 Recepção dos participantes
14:00 Abertura do fórum
14:10 Primeiro Painel
14:10 Palestra 1: Antes de nascer – palestra em torno das pesquisas que relacionam fenômenos da vida intrauterina com as consequências para a vida pós parto. Um tema que envolve discussões sobre programação e limites comportamentais que podem ser definidos durante a gestação.
Conferencista: Profa. Dra. Nilza Teresa Rotter Pelá – professora titular aposentada pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Até a aposentadoria atuou na área materno infantil e na área de metodologia científica. Espírita pertencente ao quadro de expositores da União das Sociedades Espíritas Intermunicipal de Ribeirão Preto e membro do Caminhos para o Espiritismo. É articulista do Jornal Verdade e Luz.
14:55 Palestra 2: Bases neurais da memória, emoção e planejamento de comportamento - palestra em torno das pesquisas biológicas que relacionam o comportamento humano com os circuitos neurológicos cerebrais e as influências hormonais.
Conferencista: Cleiton Aguiar – atualmente é doutorando no programa de Pós-Graduação em Neurociências/Neurologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Possui mestrado pelo mesmo programa e graduação em Ciências Biológicas pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Estuda as bases neurais da aprendizagem e memória em modelos animais de psicose, epilepsia e doença de Alzheimer.
15:40 Debate com o público
16:00 Intervalo
16:30 Segundo Painel
16:30 Palestra 3: Espírito e cérebro nas doenças mentais – palestra em torno das pesquisas científicas que identificam as causas orgânicas e psicológicas nas doenças mentais, discutindo com a psiquiatria formas de equilibrar o conceito de mente, Espírito e cérebro nas doenças do comportamento.
Conferencista: Célia Mantovani – médica psiquiatra e psicoterapeuta, atua como médica assistente no Setor de Emergências Psiquiátricas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, e mestranda em Saúde Mental na mesma instituição.
17:15 Palestra 4: Experiências de Quase Morte – palestra em torno das investigações sobre as Experiências de Quase Morte, discutindo as evidências de percepções cerebrais e percepções extra-corporais nos fenômenos descritos.
Conferencista: Prof. Dr. Alfredo José Rodrigues – professor de Cirurgia Cardiovascular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.
18:00 Debate com o público
18:20 Encerramento

domingo, 16 de outubro de 2011

Morrer ou Desencarnar?




MORRER OU DESENCARNAR?

Eita, conceito difícil de assimilar e viver a diferença entre um e outro!
O primeiro, morrer, quer dizer: cessação da vida, extinção das funções vitais; enquanto que desencarnar, quer dizer: deixar a carne, passar para o mundo espiritual; então morrer é triste, é o fim, acabou, enquanto que desencarnar nos faz entender sobre um novo começo, mas com continuidade. Aprendemos com O Livro dos Espíritos, Livro II, Capitulo III, nas seguintes questões:
149. Em que se transforma a alma no instante da morte?
– Volta a ser Espírito, ou seja, retorna ao mundo dos Espíritos, que ela havia deixado
temporariamente.
150. A alma conserva a sua individualidade após a morte?
– Sim, não a perde jamais. O que seria ela, se não a conservasse?
150-a. Como a alma constata a sua individualidade, se não tem mais o corpo material?
– Tem um fluido que lhe é próprio, que tira da atmosfera do seu planeta e que representa a aparência da sua última encarnação seu perispírito.
150-b. A alma não leva nada deste mundo?
– Nada mais que a lembrança e o desejo de ir para um mundo melhor. Essa lembrança é cheia de doçura ou de amargar, segundo o emprego que tenha dado à vida. Quanto mais pura ela for, mais compreenderá a futilidade daquilo que deixou na Terra.”
Tudo é muito simples e lógico dentro desta admirável filosofia espiritista, eu sou estudiosa da Doutrina dos Espíritos desde os cinco anos de idade, e feliz, acreditava estar cada vez mais educada espiritualmente; mas, nos últimos anos, descubro a cada dia, admirada com minha prepotência, que havia apenas assimilado conceitos teóricos. Por que?
Porque na hora de exercitar tais conceitos ando reticente... o desencarne ainda me parece uma grande perda, uma injustiça divina para aqueles que partem e para aqueles que ficam. Concluo que eles morreram, e aquele conceito básico que ando estudando sobre as múltiplas vidas, parece tão distante e tão triste, que acabo por questionar a sua serventia. Nesses momentos descubro, admirada, de minha própria insensatez, que a idéia imediata da distancia, rouba a minha crença ainda tão frágil diante das situações que ando vivenciando.
Descubro, ainda, que esse estado de alma, acaba por transitar entre algumas fases bem características de minha evolução moral e intelectual, e elas são bem delineadas:
  1. O susto: descobrir que alguém, a quem amamos, e já tínhamos decidido que faria parte de nossa existência até o final, partiu e não tem como voltar da mesma maneira, isto é encarnado(a);
  2. A obrigação, como espírita, de fazer cara de paisagem e atender a expectativa das outras pessoas que nos observam; se são espíritas, nos vigiando para ver o tamanho de nossa fé, e, os não espíritas, para fazer um teste e descobrir se esse negócio de espiritismo é bom mesmo. Esse estágio somos, literalmente, obrigados a não sofrer e sorrir quando nos questionam: “- Como você está?”, equilibradamente, então respondemos: “- Muito bem, afinal sei que ele(a) está muito bem.”
  3. Essa fase é a da comparação: olhamos a nossa volta e vemos um monte de desequilibrados, divulgando o sofrimento e a dor no planeta, mas ainda por aqui, e o nosso amor, tão bonzinho se foi. Então, precisamos entender: “Que quem é bom não precisa ficar por aqui.” Essa fase é a propulsora da revolta, afinal se estamos entrando na reta final de transformação planetária, quanto mais gente boa por aqui melhor.
  4. Estamos saindo da revolta, e entrando na rotina do dia a dia, a saudade bate forte, tudo que fazemos hoje sozinhos, antes contávamos com a presença do outro para dividir decisões, trocar idéias, etc. etc. etc. Ou até mesmo ficar quietos, longe um do outro, mas sabendo que ele(a) estaria ali a um toque da mão, do telefone, ou mesmo nas redes de comunicação. Aí vem um espírito de porco para nos dizer que nossa saudade faz mal ao que partiu.
  5. Por fim, vem a acomodação, das idéias, dos sentimentos, junto com o esquecimento do povo sobre a sua perda. Nesse momento, nós podemos racionalizar a informação que ainda não foi assimilada de maneira correta. Sentimos alívio quando andamos pela rua, e as pessoas não mais nos apontam, como se fossemos, verdadeiras aberrações da natureza.
Daí o tempo vem e acaba colocando as coisas em seus devidos lugares, meio envergonhada das minhas emoções desencontradas de minha crença, reflexiono sobre o acontecido.
Faço parte de um processo histórico que vem se desenvolvendo em meu intelecto há n encarnações, e o conceito de continuidade para mim, pelo menos, começa a tomar forma hoje, nessa oportunidade, então nada mais natural que antigos resquícios emocionais e intelectuais, aflorem e despertem sentimentos contraditórios as minhas novas aquisições de conhecimento. Essa nova postura baseada na filosofia espírita fornece novas informações de como posso me comportar diante de determinadas situações, isso não quer dizer que já substitui hábitos adquiridos em inúmeras outras vivencias. Normal, ainda, ter dúvidas e sentir receio desse afastamento, principalmente, porque não dominamos a qualidade de vida daquele que partiu, por isso mesmo, não podemos ter certeza absoluta que ele está como gostaríamos que estivesse, mas sabemos que ele está como precisa.
Fico muito irritada quando alguém me diz: Quem é muito bom não precisa ficar por aqui.
Nossa! Se já estou sofrendo com a partida do outro, ainda tenho que assimilar o conceito que se eu fiquei é porque não sou boa coisa? Que inferno!
Sinto saudades sim, eu choro, eu me lembro das coisas boas, mas na maioria do tempo as ruins que deram origem a partida, são as mais fortes, no primeiro momento da separação. Minhas intenções são as melhores, sinto amor com saudade, e preciso expurgar essa dor antes que ela se transforme em obsessão. Não acredito que minha dor saudável atrapalhe a caminhada do companheiro que partiu, ele deve estar sentindo o mesmo e irá compreender, e dividir comigo mais esse pedacinho na vida, afinal, ela, a vida ainda não acabou.
Nossa! Como é bom quando esquecem que nós estamos sofrendo, mas nos olham de maneira positiva e firme, apenas nos mostrando que estamos acompanhados e apoiados para superar o momento do trauma recente.
Nossa! Como é bom não precisar escutar opiniões atrapalhadas sobre os nossos sentimentos, que ainda nem sabemos quais são.
Nossa! Como é bom ficar anônimo, de mãos dadas com a amizade verdadeira, que apenas está ali, da maneira que nós precisarmos.
Ah! Se pudéssemos pensar e sentir assim, saberíamos, com certeza, que:

"Morrer é apenas não ser visto.
Morrer é a curva da estrada."
(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

ATROPELADA, ANDO MEIO ATROPELADA!


Atropelada, ando meio atropelada!

Nossa! Ufa! Se Deus quiser está no fim essa maratona dark!
É assim mesmo que ando sentindo a vida, não o total dela, mas esse pedacinho longoooooooooo, que anda se estendendo além do horizonte.
Andei sumida por simples e verdadeira falta de tempo. Andava até mesmo questionando o mundo se haviam roubado algumas horas ao nosso dia. Afinal, fazia uma porção de coisas e acabava acreditando que não havia feito nada, e o que me encanta sempre ficava para depois.
Hoje, dia 27 de agosto do ano cristão de 2011, mais sossegada e com algum tempo disponível, passei a reflexionar sobre essas sensações que andaram me visitando, admirada, mas nada surpresa, cheguei a conclusão que eu não estava gostando das novidades que andavam despencando em minha vida; por isso, o tempo que era pouco, ao mesmo tempo me parecia tão lerdo em seu caminhar.
Teve momentos que fiquei chateada de estar em minha presença, tal o negativismo de meus pensamentos e manifestações, acordei a pobre coitada, adormecida há certo tempo. Adormecida o suficiente para gostar de ser uma pessoa otimista, ativa e pacifica com os obstáculos que porventura aconteçam, acreditei, sinceramente, ter assimilado uma nova característica de personalidade, e andava até um pouco vaidosa dessa conquista, até... até o momento em que precisei vivenciá-la diante de problemas reais. Então descobri, desconcertada e meio raivosa comigo mesma, que andava longe de possuir tais características evolucionistas, mas aquele ranço antigo ainda existia, e precisava, com urgência, dar um jeito de erradicá-lo de meu ser.
A reflexão continuou até o dia em que fiz uma palestra, e por incrível que pareça o que andava dizendo fez sentido para mim, foi um daqueles momentos imperdíveis de nossas vidas:
- A evolução natural não dá saltos, mas acontece de acordo com as leis naturais, isso é de acordo com a necessidade.
Então, minha reflexão, até aquele momento, capenga e critica demais, acabou por tomar um novo rumo, descobri que apesar de não ter incorporado inteiramente novos conceitos mais saudáveis, eu já os conheço e fazem parte de meus seguimentos comparativos, isto é, eu já os exercito de uma maneira inovadora para meu sentir, experimentando essas novas sensações.
Agora estou bem, até a próxima experiência, que também me levará a uma série de indagações e reflexões, que me levarão a descoberta de novas faces para esse espírito imortal.
ETA! Vida boa!
"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".
(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Meus filhos serão reis e rainhas?


Meus filhos serão reis e rainhas?

            Fico aqui lembrando algumas coisas de um passado recente, para mim tão recente, que ainda é presente. Por exemplo: o dia em que meus filhos nasceram.
            A sensação de ter uma vida em minhas mãos, da responsabilidade imediata e intransferível em satisfazer as necessidades daquele pequeno ser.
            A maravilha e o susto quando percebi que atender as necessidades físicas não seria o suficiente, mas que minha responsabilidade ia muito além, que também seria de extrema necessidade observar as carências daquela alma que caminhava em direção a conquista de sua individualidade e identidade.
            Como espírita entendia que também participaria dessa conquista, ciente das implicações de um compromisso maior, como mãe, auxiliar no processo de educação e reeducação daquele espírito. Toda essa reflexão trouxe muitos questionamentos, reconhecimento de enganos cometidos durante a caminhada, mas, principalmente, o compromisso maior com a verdade amorosa e bela do recomeço.
            Participei ativamente de todas as brincadeiras, não importava de ter a vizinhança toda no meu quintal, de preparar lanches para três, dez ou vinte, de tropeçar em colchões espalhados pela casa inteira, etc.
            Observava as brincadeiras de príncipes e princesas, montados em cavalo de pau, chapéu e espada de jornal, lutando bravamente para salvar a vida de um amigo querido aprisionado pelo dragão imaginário.
            A noite falava sobre valores intransferíveis para nossa vida: a verdade, a fidelidade, a honradez, a amorosidade e a persistência em nos mantermos dentro e girando sempre nesses conceitos ainda tão abstratos. Depois cada um ia para seu quarto, recitava a prece simples, mas infalível para nossa proteção:
- Com Deus eu me deito, com Deus eu me levanto, com a graça de Deus e do Divino Espírito Santo.
            Daí a poucos minutos eu ouvia:
- Boa noite, mãe. Dorme com Deus.
- Boa noite, pai. Dorme com Deus.
- Boa noite, Cyrinho. Dorme com Deus.
- Boa noite, Bruna. Dorme com Deus.
- Boa noite, Andréa. Dorme com Deus.
            E assim, pelos menos quinze minutos se passavam, entre desejos de boa noite, dorme com Deus e muitos risos. Feliz, fechava os olhos e pedia ao Pai, que olhasse por meus filhos, que pudessem entender sobre a necessidade do respeito, do amor e da fidelidade, que se assim o fizéssemos e o quiséssemos em nossas vidas, seriamos reis e rainhas nos corações de nossos amores.
            Os anos foram acontecendo e suas identidades pessoais sendo construídas com suas vivencias, o seu sentir, as suas escolhas, algumas felizes, outras menos favoráveis a nossa liberdade de evoluir; assim como aconteceu em nossas próprias vidas.
            Hoje, estou meditando sobre tudo isso, anos de vida em comum com minhas princesinhas e meu principezinho, lembro de minha avó dizendo sobre não conseguir nos ver como adultos, e que sempre sentia a necessidade de fazer algo a mais, e não raras vezes, não sabia identificar o que seria, mas que também sentia não ser mais a hora de sua interferência, mas a hora apenas de observar, orar e acolher quando necessário fosse, e que de verdade mesmo esse foi o aprendizado mais difícil que já havia feito.
            Estou aqui, observando, orando e pronta a acolher e ainda insisto toda noite, apesar de não mais escutar a resposta, vocês se foram pela vida:
- Boa noite, meus filhos. Durmam com Deus. Desejo a vocês o reinado no coração do amor, mas principalmente, que saibam o quanto merecem ser amados.    

sexta-feira, 27 de maio de 2011

TERRA FERIDA

TERRA FERIDA

A tarde ia alta, o céu azul, límpido, sem nuvens, dava uma sensação boa, de que tudo estava certo.
O dia se arrastava morno como o trem que passa lento diante da estação vazia.
Olhava de um lado e de outro da estrada, às vezes, a paisagem se apresentava verdejante, pura, exalando doce perfume da natureza, outras a terra crua e vermelha refletia o sol incremente que gritava alto e assustava as aves; mas, de repente, olhei à direita, percebi que aquela imagem não se encaixava... era aberrante, a terra ferida.
Diminui a velocidade do carro e parei no acostamento. Inconformada, desci do veículo e me aproximei do corrimão, observava assustada à princípio, decepcionada depois.
Olhei à direita, era lindo, um monte protuberante, forrado de vegetação verde, aqui e acolá uma árvore colorida de rosa e outra de amarelo, alguns cavalos sonolentos pastavam. Imaginei uma casinha branquinha, pequenininha embaixo do flamboyant. Ali embaixo, na sombra fresca, eu brinco de rir e de espirrar água no pássaro que voa. Canto alto, até os grilos felizes me acompanharem. À noite vem e brejeira me convida a adormecer, uma chuva de flores e folhas faz barulho no telhado e sorrio diante da vida.
À esquerda eu olhei e vi um vale, beijado por um riacho manso, que saia de trás do monte, a relva fresca convidava a caminhar descalça, sorrindo, tirei os sapatos, que apertavam os meus pés, e, devagar, muito devagar, afundei no frescor do dia. Corri de um lado a outro, me atirei na grama, fechei os olhos e adormeci. Um sono assim de preguiça, de entardecer, livre voava nas asas do beija-flor, pousava de flor em flor. Ah! Liberdade com o rosto em chamas pelo calor do sol, refrescado pela umidade simples da brisa.
Ah! Ao centro. Que dor!
A terra ferida exclamava confusa: O que foi feito de mim?
Acordei aos prantos, o susto grande com o barulho infernal.
Uma nuvem se espalhava em direção ao céu, parecia mais um cogumelo e, que triste, lembrou-me a Rosa de Hiroshima.
Uma beleza agressiva, uma visão infinita.
E a terra ferida clamava sentida: O que foi feito de mim?
Afastei-me, dois passos atrás, não consegui lembrar-me da visão do morro e nem do vale, o barulho ensurdecia e entristecia, e ao longe ouvia a terra ferida gritar algo assim: O que foi feito de mim?


A natureza é o único livro
que oferece um conteúdo valioso
em todas as suas folhas.
Johann Goethe